Mineração deve investir R$ 200 bilhões nos próximos cinco anos

Mineração deve investir R$ 200 bilhões nos próximos cinco anos

Por: Santelmo - M&TExpo

A expectativa do Instituto Brasileiro de Mineração é que um dos segmentos mais beneficiados será o do minério de ferro, que receberá um terço desse montante 

Nos próximos cinco anos, a mineração nacional investirá no mercado US$ 40,4 bilhões (em torno de R$ 200 bilhões). A expectativa é do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que aponta que cerca de um terço desse montante deve ser destinado ao segmento do minério de ferro. Além disso, ainda de acordo com a entidade, os setores da bauxita e de fertilizantes também serão beneficiados, com cada um deles recebendo US$ 5,7 bilhões entre 2022 e 2026.

Os valores incluem, ainda, os aportes financeiros necessários para o trabalho de descaracterização das barragens executadas de modo semelhante às estruturas que se romperam em Mariana e Brumadinho, ambas cidades localizadas em Minas Gerais. 

Mesmo as quedas no faturamento e na produção observadas durante o primeiro trimestre de 2022 não devem abalar o momento de otimismo. Isso porque o recuo foi motivado por fatores como a desaceleração da demanda na China (causada pela realização das Olimpíadas de Inverno e a nova onda de Covid-19 que tem resultado em restrições de circulação no país).

Além disso, situações internas também influenciaram na retração do início deste ano — com destaque para as chuvas fortes que castigaram Minas Gerais nos meses de janeiro e fevereiro. No primeiro trimestre de 2022, a queda no faturamento foi de 20% e na produção de 13% quando os números são comparados com os dados registrados no mesmo período de 2021.

Críticas 

Na mesma entrevista em que revelou os números do setor, Raul Jungmann, presidente do Ibram, fez críticas ao contingenciamento de verbas da Agência Nacional de Mineração (ANM). Ele destacou que o fortalecimento da entidade é estratégico, porém isso não tem sido verificado no orçamento ou na destinação dos valores. Para o Ibram, atualmente a agência possui recursos tecnológicos e de fiscalização escassos. Além disso, segundo Jungmann, o órgão deveria receber 7% da arrecadação com os royalties, porém tem ficado com apenas 1%.

Jungmann também teceu críticas ao PL 191/2020, que prevê a liberação da atividade de mineração em terras indígenas, e pediu um foco maior no combate ao garimpo ilegal.